terça-feira, 21 de abril de 2015

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 27




Edgar continuou praguejando e dando pequenos socos no volante. O outro se preocupou:
- O que foi dessa vez?
- A gasolina está acabando. Eu devia ter enchido o tanque ontem, mas esqueci. Vamos ter que parar para abastecer.
- Isso pode ser perigoso.
- Muito. Mas não temos outra opção. Felizmente tem um posto ali na frente.
O posto estava lá, completamente deserto. Havia um carro ao lado de uma bomba e a mangueira havia sido deixada no tanque, ligada, de modo que a gasolina se espalhava pelo chão.
- Cuidado aí, cara. Isso é uma bomba-relógio. Qualquer faísca pode provocar um incêndio. – advertiu Jonas.

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 26




Edgar esperou o sinal e ligou o motor. Sabia que sons atraiam os zumbis e, embora seu carro fosse relativamente silencioso, não queria correr riscos. Jonas permanecia no portão, olhando para fora, atento a qualquer movimento.
- Venha!
O professor engatou a ré e saiu a toda. Surpreendeu-se com isso. Soltou tão rapidamente a embreagem que o carro quase morreu. Teria que aprender a ter mais auto-controle. Quando se viu na rua, endireitou o veículo, pronto para sair, enquanto Jonas fechava o portão.
No momento em que o outro entrou e fechou a porta, engatou a primeira e saiu. Foram inicialmente lentos, olhando ao redor. Não havia qualquer movimento na rua, parecia que até mesmo os cachorros e gatos haviam sumido. De tempos em tempos se deparavam com enormes manchas de sangue e restos de roupas nas ruas. Em certo momento depararam com um carro virado e carbonizado.
Já tinha percorrido umas dez quadras quando Edgar deu um soco no volente a pragejou:
- Droga!

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 25


A meninha tinha achado o papel e a caneta ao lado do telefone. Edgar pegou o pedaço de papel e leu: “Preciso de minhas roupas e minhas coisas”.
- Você sabe me indicar onde fica sua casa?
A menina fez que sim com a cabeça. Edgar mostrou o papel para o outro.
- Aquelas coisas ainda podem estar lá fora. – argumentou Jonas, a expressão preocupada.
- Vamos de carro.  E precisamos ver se isso foi em outros locais da cidade. Seria bom saber se há outras pessoas como nós...
- Há outra coisa que me preocupa. O caminhão de som pode voltar. Se nos encontrar no meio da rua...
- Você e a menina são imunes.
- Você não.

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 24




O telefone atendeu e houve um segundo de silêncio (que pareceu uma eternidade). Então ouviu-se uma gravação, uma música instrumental, que tocou até que a ligação caísse.
Edgar tirou o fone de ouvido e deixou a mão pender com ele ao longo do corpo, desconsolado.
- Atendeu? – perguntou Jonas.
- Nada. Eu tinha esperanças de que... ah, Deus!
O professor levou a mão ao rosto, como se tampar os olhos fizesse a realidade terrível desaparecer.
Quando os abriu de novo, Sofie lhe estendia um papel.

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 023




O primeiro número que lhe veio à cabeça, por alguma razão, foi de uma professora, amiga de colegiado. Depois que discou, ele se lembrou do número da polícia, 190, mas já estava chamando.
(Atenda, atenda, atenda, pensou ele mentalmente)
O telefone chamou uma, duas, três e mais vezes, até a ligação cair.
Edgar estremeceu. Isso talvez significasse que sua amiga...
(não, como eles, não!)
... Tivesse se transformando em uma daquelas coisas.
Edgar apertou o display, esperou a linha e discou o número da polícia.
O telefone chamou duas vezes e finalmente atendeu.

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 022




Edgar chegou à cozinha e encontrou Jonas e Sofia em volta de um copo quebrado sobre o chão. Uma mancha de água se espalhava ao redor dele. Olhavam para ele como se olhassem para um acidente de carro.
- Eu, eu fui pegar água para a menina, mas... – Jonas mostrou as mãos tremendo.
Edgar tentou tranquiliza-lo:
- Não foi nada. Você está nervoso. Estou tentando ligar. Venham comigo.
O professor voltou para a sala, agora acompanhado pelos dois. O gancho de telefone estava lá, pendurado, como uma cobra, soltado um som insistente: tu tu tu...
Edgar pegou-o, apertou o display e esperou que o sinal surgisse de novo. Então ligou.