terça-feira, 21 de abril de 2015

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 21




Edgar ficou ali, parado, ouvindo o som da linha. Esperara tanto por aquele momento, pela oportunidade para falar com alguém e agora não sabia para quem ligar. Nenhum número lhe vinha à mente, como se qualquer informação a esse respeito tivesse sido apagada.
Então ele ouviu um barulho de vidro quebrado. Por alguma razão esse som o arrepiou. Imagens de sua mulher e sua filha vieram para ele como flashes. A filha lhe estendia a mão, a última vez que ele a vira, os vidros quebrados, estilhaçados, e ela estendendo as mãos e chorando.
O telefone ficou lá, um eco contínuo de cacofonia pendurado no gancho, balançando em espirais, enquanto ele corria para a cozinha.

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 020




Edgar nem mesmo parou para olhar o que o outro tinha feito. Saiu correndo e foi fechar o portão da garagem. De certa forma é como se estivesse se adaptando às coisas e sabia que o mais importante era garantir que nenhum outro zumbi entrasse.
Quando voltou, Jonas olhava para o cabo quebrado, como se fosse uma cobra que o tivesse hipnotizado.
- Eu matei ela. – disse, apontando para a mulher caída no chão. Ela parara de estrebuchar e se via apenas alguns movimentos reflexos. Eu a matei!
- Se não fizesse isso, ela faria. Agora vamos entrar. Precisamos sair daqui. Vamos, entre.
Sofia agarrou-se à mão de Edgar e entraram na casa pela porta da cozinha, onde deixou a menina. Edgar foi direto para a sala, onde ficava o telefone fixo. Tirou o gancho e respirou aliviado quando percebeu que havia linha. 

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 016




Edgar ficou ali, parado, na dúvida. Tinham que entrar. Não podiam ficar expostos na rua, mas e alguma daquelas... (coisas?) tivesse entrado? Era como entrar em uma armadilha.
Por fim, decidiu-se:
- Vamos.
Apurou os ouvidos, à medida em que andava. Sentiu que a pele se arrepiava. Sofia segurava firme sua mão direita. Isso lhe dava segurança, mas, por outro lado, tornava muito mais difícil a reação, caso houvesse algum ataque.
Avançou pela garagem. A coisa podia estar escondida atrás do carro. Foi avançando, lento, tentando ver algo, até ter certeza de que a garagem estava completamente livre.
- Oh, céus! – disse Jonas, lá atrás, empurrando-os.

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 19




Jonas se agitava, tomado pelo pânico e pela surpresa. Provavelmente nunca imaginara que uma mulher magra como aquela pudesse ter tanta força.
Edgar largou a mão de Sofia e avançou. Pensou em pegar a vassoura, mas ela havia caído do outro lado. Teria que dar a volta nos dois para pegá-la e talvez fosse tarde demais. Assim, pulou sobre a mulher a segurou-lhe os cabelos, puxando-a para o lado. Ela largou Jonas, mas rolou pelo chão. Tinha visto uma vítima mais fácil: Sofia.
A coisa foi arrastando-se na direção da garotinha. A menina se encolheu, mas seria rapidamente alcançada.
Edgar nem mesmo pensou no que estava fazendo: pegou a cabeça da mulher e bateu-a contra o chão. A mulher voltou a girar, seu olho agora uma flor enorme de sangue, ainda disposta a atacar, até que seu outro olho foi perfurado.
O professor olhou para o lado. Jonas estava lá, pasmo, com um pedaço do cabo da vassoura partido na mão. O outro pedaço estava cravado no olho da mulher, que estrebuchava no chão.
- Oh, céus! Oh, céus! – repetia Jonas.

O UIVO DA GÓRGONA PARTE 18




Sofia soltou um grunhido de susto e Edgar foi obrigado a puxá-la para longe da quina da parede. O zumbi se aproximava lentamente e agora podia ser melhor visto. Era uma mulher de enormes unhas vermelhas e vestido curto sujo e rasgado. O cabelo crespo havia sido alisado e pintado de loiro, mas agora estava desgrenhado como uma teia de aranha. Ela andava com dificuldade em razão do salto alto e caía de tempos em tempos.
O professor olhou para o lado e viu Jonas. Ele se armara com uma das vassouras que eram deixadas do lado de fora. Edgar rezou para que isso fosse suficiente.
Inesperadamente, Jonas saiu de seu lugar e avançou com o cabo de vassoura, atingido a mulher na testa. Ela oscilou para trás, um enorme hematoma se formando em sua pele. Qualquer um teria fugido depois de um golpe daqueles, mas o uivo da górgona parecia ter tirado dela qualquer instinto de sobrevivência.
Mesmo com o salto alto, ela avançou com surpreendente velocidade, abrindo e fechando a boca, como se abocanhasse o ar, e levando as mãos em garra. Jonas não esperava por  isso e recuou.
A mulher pulou sobre ele, derrubando-o no chão, as mãos em garra rasgando sua roupa, a boca procurando seu pescoço.

O UIVO DA GÓRGONA PARTE 17



Edgar ficou ali, parado, na dúvida. Tinham que entrar. Não podiam ficar expostos na rua, mas e alguma daquelas... (coisas?) tivesse entrado? Era como entrar em uma armadilha.
Por fim, decidiu-se:
- Vamos.
Apurou os ouvidos, à medida em que andava. Sentiu que a pele se arrepiava. Sofia segurava firme sua mão direita. Isso lhe dava segurança, mas, por outro lado, tornava muito mais difícil a reação, caso houvesse algum ataque.
Avançou pela garagem. A coisa podia estar escondida atrás do carro. Foi avançando, lento, tentando ver algo, até ter certeza de que a garagem estava completamente livre.
- Oh, céus! – disse Jonas, lá atrás, empurrando-os.