quarta-feira, 22 de abril de 2015

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 30




Edgar olhou na direção que o outro apontava. A mangueira de combustível pulsava em sua mão. Lá longe um grupo compacto se aproximava. Era uma multidão ainda maior do que a que vira antes (eles estão se juntando!). Não corriam, mas não demorariam para alcança-los.
Dentro do carro, Sofia olhou-o, os olhos aflitos.
- Precisamos ir. – avisou Jonas.
- O tanque estava vazio. Coloquei pouca gasolina...
- Se eles nos alcançarem, isso não vai fazer diferença!
- Entre no carro, vou tentar colocar um pouco mais.
Jonas entrou. Lá dentro, os dividiam a atenção entre o professor manipulando a mangueira de gasolina e a horda que se aproximava.

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 29




- Olá! Não vão embora! Não sou um deles! – gritava o jovem, correndo na direção. Usava uma calça jeans rasgada, uma camiseta branca e tênis all star. Nas costas levava uma surrada mochila preta.
- Mas, que idiota! – rosnou Jonas. Esses gritos vão chamar aquelas coisas! Apresse isso!
Edgar pareceu despertar de um transe e finalmente colocou o bocal no tanque e apertou-o, deixando sair gasolina.
O rapaz parou entre ele e Jonas e se inclinou, colocando as mãos sobre os joelhos, ofegante:
- Ah, eu estou fora de forma!
Depois olhou para os dois homens, que pareciam não percebê-lo. Olhavam à volta, preocupados.
- Caras, desculpe ter assustado vocês. Mas são as primeiras pessoas normais que encontro e...
Jonas cortou-o:
- Depois você conta a história de sua vida. Agora entra no carro! Edgar, eles estão vindo!

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 28




Edgar manobrou e colocou o carro ao lado da bomba vazia.
- Eu encho o tanque. - disse. Vá lá e desligue a outra mangueira. Vamos torcer para tudo dar certo. Se aquelas coisas voltarem a aparecer, não temos onde nos esconder.
- Certo.
O professor contornou o carro, tirou a tampa do tanque e a colocou sobre o carro. Ao pegar a mangueira sentiu-se perdido. Tinha visto os frentistas usando aquele aparelho centenas de vezes, mas agora sua cabeça parecia ter sido tomada por um branco. Ficou lá, parado, olhando para ela, incapaz de agir.
Foi quando ouviu alguém gritando.

terça-feira, 21 de abril de 2015

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 27




Edgar continuou praguejando e dando pequenos socos no volante. O outro se preocupou:
- O que foi dessa vez?
- A gasolina está acabando. Eu devia ter enchido o tanque ontem, mas esqueci. Vamos ter que parar para abastecer.
- Isso pode ser perigoso.
- Muito. Mas não temos outra opção. Felizmente tem um posto ali na frente.
O posto estava lá, completamente deserto. Havia um carro ao lado de uma bomba e a mangueira havia sido deixada no tanque, ligada, de modo que a gasolina se espalhava pelo chão.
- Cuidado aí, cara. Isso é uma bomba-relógio. Qualquer faísca pode provocar um incêndio. – advertiu Jonas.

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 26




Edgar esperou o sinal e ligou o motor. Sabia que sons atraiam os zumbis e, embora seu carro fosse relativamente silencioso, não queria correr riscos. Jonas permanecia no portão, olhando para fora, atento a qualquer movimento.
- Venha!
O professor engatou a ré e saiu a toda. Surpreendeu-se com isso. Soltou tão rapidamente a embreagem que o carro quase morreu. Teria que aprender a ter mais auto-controle. Quando se viu na rua, endireitou o veículo, pronto para sair, enquanto Jonas fechava o portão.
No momento em que o outro entrou e fechou a porta, engatou a primeira e saiu. Foram inicialmente lentos, olhando ao redor. Não havia qualquer movimento na rua, parecia que até mesmo os cachorros e gatos haviam sumido. De tempos em tempos se deparavam com enormes manchas de sangue e restos de roupas nas ruas. Em certo momento depararam com um carro virado e carbonizado.
Já tinha percorrido umas dez quadras quando Edgar deu um soco no volente a pragejou:
- Droga!

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 25


A meninha tinha achado o papel e a caneta ao lado do telefone. Edgar pegou o pedaço de papel e leu: “Preciso de minhas roupas e minhas coisas”.
- Você sabe me indicar onde fica sua casa?
A menina fez que sim com a cabeça. Edgar mostrou o papel para o outro.
- Aquelas coisas ainda podem estar lá fora. – argumentou Jonas, a expressão preocupada.
- Vamos de carro.  E precisamos ver se isso foi em outros locais da cidade. Seria bom saber se há outras pessoas como nós...
- Há outra coisa que me preocupa. O caminhão de som pode voltar. Se nos encontrar no meio da rua...
- Você e a menina são imunes.
- Você não.