terça-feira, 21 de abril de 2015

O UIVO DA GÓRGONA - PARTE 19




Jonas se agitava, tomado pelo pânico e pela surpresa. Provavelmente nunca imaginara que uma mulher magra como aquela pudesse ter tanta força.
Edgar largou a mão de Sofia e avançou. Pensou em pegar a vassoura, mas ela havia caído do outro lado. Teria que dar a volta nos dois para pegá-la e talvez fosse tarde demais. Assim, pulou sobre a mulher a segurou-lhe os cabelos, puxando-a para o lado. Ela largou Jonas, mas rolou pelo chão. Tinha visto uma vítima mais fácil: Sofia.
A coisa foi arrastando-se na direção da garotinha. A menina se encolheu, mas seria rapidamente alcançada.
Edgar nem mesmo pensou no que estava fazendo: pegou a cabeça da mulher e bateu-a contra o chão. A mulher voltou a girar, seu olho agora uma flor enorme de sangue, ainda disposta a atacar, até que seu outro olho foi perfurado.
O professor olhou para o lado. Jonas estava lá, pasmo, com um pedaço do cabo da vassoura partido na mão. O outro pedaço estava cravado no olho da mulher, que estrebuchava no chão.
- Oh, céus! Oh, céus! – repetia Jonas.

O UIVO DA GÓRGONA PARTE 18




Sofia soltou um grunhido de susto e Edgar foi obrigado a puxá-la para longe da quina da parede. O zumbi se aproximava lentamente e agora podia ser melhor visto. Era uma mulher de enormes unhas vermelhas e vestido curto sujo e rasgado. O cabelo crespo havia sido alisado e pintado de loiro, mas agora estava desgrenhado como uma teia de aranha. Ela andava com dificuldade em razão do salto alto e caía de tempos em tempos.
O professor olhou para o lado e viu Jonas. Ele se armara com uma das vassouras que eram deixadas do lado de fora. Edgar rezou para que isso fosse suficiente.
Inesperadamente, Jonas saiu de seu lugar e avançou com o cabo de vassoura, atingido a mulher na testa. Ela oscilou para trás, um enorme hematoma se formando em sua pele. Qualquer um teria fugido depois de um golpe daqueles, mas o uivo da górgona parecia ter tirado dela qualquer instinto de sobrevivência.
Mesmo com o salto alto, ela avançou com surpreendente velocidade, abrindo e fechando a boca, como se abocanhasse o ar, e levando as mãos em garra. Jonas não esperava por  isso e recuou.
A mulher pulou sobre ele, derrubando-o no chão, as mãos em garra rasgando sua roupa, a boca procurando seu pescoço.

O UIVO DA GÓRGONA PARTE 17



Edgar ficou ali, parado, na dúvida. Tinham que entrar. Não podiam ficar expostos na rua, mas e alguma daquelas... (coisas?) tivesse entrado? Era como entrar em uma armadilha.
Por fim, decidiu-se:
- Vamos.
Apurou os ouvidos, à medida em que andava. Sentiu que a pele se arrepiava. Sofia segurava firme sua mão direita. Isso lhe dava segurança, mas, por outro lado, tornava muito mais difícil a reação, caso houvesse algum ataque.
Avançou pela garagem. A coisa podia estar escondida atrás do carro. Foi avançando, lento, tentando ver algo, até ter certeza de que a garagem estava completamente livre.
- Oh, céus! – disse Jonas, lá atrás, empurrando-os.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

O UIVO DA GÓRGONA PARTE 15


Dessa vez foram ainda mais cautelosos ao sair. Jonas levantara a gôndola e empurrar para o lado as coisas que haviam caído – barbeadores, pilhas, colas rápidas. Queria o corredor desempedido caso precisassem voltar rapidamente.
A rua agora estava vazia. O rapaz com camiseta de rock havia desaparecido e provavelmente havia se juntado ao grupo, se o tivesse alcançado.
- Por ali. – orientou Edgar.
Passaram pela casa fechada que Edgar havia visto antes. O barulho lá dentro continuava. Som de móveis quebrados atravessavam o portão.
- Deviam estar com a casa trancada quando aconteceu. – explicou Jonas. Acho que não conseguem abrir portas e grades.
Edgar concordou:
- O instinto deles é sair e se juntar à multidão. Como não conseguem, estão destruindo a casa.
Quando chegaram à frente da casa, Edgar estancou:
- Deixei encostado. O portão não estava aberto dessa forma.

O UIVO DA GÓRGONA PARTE 14


O garoto continuava seu caminho, lenta, mas decididamente. Não demoraria para encontrar com Edgar. Então ouviu-se um barulho alto, na rua.
Edgar abriu os olhos e arriscou olhar por entre os salgadinhos.
O zumbi parara, indeciso. Por um instante, pensou continuar na mesma direção. Então houve outro barulho e ele se virou completamente, naquele momento estranho, dos braços esticados ao longo do corpo e imóveis.
Edgar esticou a cabeça. Havia duas latas de leite caídas do lado de fora, abertas com seu conteúdo branco manchando o asfalto negro.
O rapaz foi até elas, intrigado, ficou ao lado delas, olhando à volta por alguns instantes, depois se afastou até sair da vista.
Jonas se aproximou, por entre as prateleiras:
- Melhor irmos agora.

O UIVO DA GÓRGONA PARTE 13


Era rapaz de não mais de 17 anos. Tinha cabelos negros e compridos, pouco abaixo dos ombros. Usavam uma camisa preta de banda de rock e calças jeans. Tinha perdido o tênis all star de um dos pés, parecia não se preocupar com isso. Andava de uma maneira estranha, que seria engraçada em outra situação: mantinha os braços junto ao corpo, a cabeça balançando levemente, os cabelos indo e vindo, como se estivesse num show.
Ela parou na entrada, como um cachorro que fareja o ar, mas na verdade buscava algum som. Edgar rezou para que a menina não chorasse.
Uma embalagem de pilhas desabou da gôndola caída, chamando sua atenção. Ele andou lentamente até ela: agora, ao movimento de vai de vai acrescentara outro: um girar de um lado para o outro, como uma câmera de vigilância.
Após um momento de indecisão, ele avançou pelo corredor no fim do qual estavam Edgar e Sofia.
Edgar fechou os olhos e rezou.